Entrevista com Cauã Csik Lima
Um pouco de álcool para dentro e assim quem sabe conseguimos entender um pouco a mente complexa de quem irei falar nas próximas linhas.
Csik Lima
Eu, Raphael Gibson conheço ele à um ano, talvez um pouco suspeito para falar, até por que sou um grande admirador da arte que ele consegue fazer ao captar um momento único vívido em simplório, dando total vida ao que um piscar de olhos, não consegue captar.
Momentos que às vezes guardamos em nossas mentes não tão bem enquadrados como aos olhos de Cauã Csik Lima. Fotógrafo que consegue captar atrás das lentes.
Conheci através de um grande amigo, o qual me levou a uma sessão com ele logo que voltei à cidade maravilhosa, lógico que como todo fotógrafo temos certeza do bom trabalho, porém Cauã tem um “Q” a mais quando se trata da questão. Ainda mais quando o tempo de bagagem do garoto é de apenas um ano… Guardem esse nome!
Entrevista
Quanto tempo exatamente você fotografa? E o que te fez começar?
Cauã - Começar mesmo foi no inicio de 2011, quando tive a minha primeira câmera profissional, isso me motivou a levar a parada a sério, investir em equipamentos e o skate sem dúvidas ajudou. Depois de diferentes lesões fui pegando mais leve em cima do carrinho, ficando desanimado e ganhei uns quilinhos hahaha… até começar a juntar a fotografia no role do dia a dia, registrando as manobras dos amigos já que os roles são sempre meio carentes de imagem. Fazer as fotos foi ficando tão prazeroso quanto estar andando, as sessões começaram a ser atrás das lentes.
Voltei a ser criança de novo, vou para as sessões, uso a imaginação, me sujo inteiro e dou boas risadas assim como quando andava o dia todo e voltava pra casa cheio de alegria!
Acompanhei você um bom tempo e pude ver o quanto você evoluiu, qual foi, fez pacto? Qual o seu segredo?
Cauã – Meu segredo eu não sei, acho que foi a paixão pela coisa, sempre busquei melhorar e aprender, ler, estudar e praticar a fotografia em geral, não só fotografando skate. Acho que essa paixão ou o “dom” como alguns preferem dizer veio de família, meu avô e minha mãe que são falecidos eram fotógrafos, eu queria poder voltar no tempo para aprender e viver isso com eles, eu nunca dei muita atenção na época em que tinha isso em casa, acho que descobri um pouco tarde e por isso não quis perder tempo, fui metendo a cara sozinho mesmo, sem curso, professor ou coisa do tipo.
Fala pra gente como é o seu dia a dia? As correrias de um fotógrafo numa capital movimentada?
Cauã – Vixi… é complicada! A correria é frenética, leva material pra cá e pra lá e torce para não pegar um trânsito ou busão lotado em um dia ensolarado. Mas no fim do dia é sempre um alívio, e o que vale é o sorriso da missão cumprida e o trabalho bem feito… o que eu gosto de fazer, estar na rua convivendo com todas as adversidades.
Em um Brasil onde o que mais temos é vestibulando de medicina, reprovados na prova da OAB e estudantes que almejam concursos para conquistarem estabilidade financeira, você passa um tom de liberdade. Você lotado de tatuagens, diferente dos “padrões da sociedade” qual a receita? e o que te motiva?
Cauã – Carreira é uma invenção do século 20, e eu não gosto dessa ideia de que precisamos de uma para ser feliz, para ficar “seguro”, vejo muitas pessoas se matando anos e anos em rotinas de estudos ou em trabalhos e muitas vezes nem sentem prazer naquilo, e acabam se tornando uma pessoa diferente do que era antes, não é algo que sonham em fazer, mas estão la só para ter o conforto e a estabilidade financeira, pra poder trocar de carro, comprar o eletrônico de ultima geração e etc. O que me motiva È a liberdade, minhas tatuagens não me diferenciam da população, a população é que me diferencia, somos todos iguais e livres, acho que o preconceito nunca vai acabar e sempre vão me encarar na rua, acho que se as pessoas se libertassem e parassem de seguir o tal “padrão de felicidade” nós teríamos um mundo bem melhor.
E me conta mais sobre essas tatuagens? Viciou? Ou é só por esporte?
Cauã – A primeira tatuagem começa com um significado, a segunda, terceira e quarta também e por ai vai, chegou a um ponto de que podemos dizer que viciei, algumas não tem significados pessoais, mas se encaixam com um pensamento meu, faço pelo simples prazer de ter a arte na pele.
Privilegiado de visão eu sei que você é, suas fotos não me deixam mentir, mas vamos falar do que vivemos, o que você acha da cena carioca no momento?
Cauã - O cenário carioca está bombando como nunca, o ano de 2011 foi único e revolucionário tanto para o skate quanto pra mim. Fiz grandes amizades, vi diferentes eventos e datas memoráveis. Grandes marcas aparecendo e crescendo o olho, tudo graças aos próprios skatistas de todos os cantos da cidade que fizeram isso acontecer. Diferentes picos ganharam vida e hoje está todo mundo junto nas sessões. Temos skatistas tops, videomakers e fotógrafos profissionais que dão conta do trabalho e não paramos de produzir material de alto nível. O legal é que só tende a crescer com a chegada da copa e olimpíadas, se não somos seremos o foco do país com surgimento de novos picos.
Em um ano vi você quebrando varias barreiras, quais são as metas para este ano?
Cauã – Tenho alguns projetos em andamento que vão se desenrolar com o decorrer do ano. Não sou muito de fazer metas, sou apenas um novato na fotografia e esse ano quero continuar focado em buscar mais evolução e prática na fotografia em geral como fiz ano passado, tanto no skate quanto em diferentes áreas, não quero só ficar preso no skate entende? Pretendo abrir minha visão …Posso dizer que minhas metas estão voltadas pra pratica da fotografia em geral e o que tiver que vir, virá!
“Tenho uma grande gratidão por quem faz acontecer por amor e cuidado e não só pra se promover”. Cauã Csik Lima
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